-Ainda não sei. Só que, se ele não cooperar com meu sonho, eu vou apelar, sem dúvidas.
-Olha lá o que você vai fazer, em Lua.
-Mel! Você me conhece né?
-Conheço até demais. E é isso que me deixa com medo. –Mel
era do tipo de garota que tinha medo de aprontar. Mas é claro, ela tinha o
carinho do pai dela, ela era o orgulho da família. Ela vai começar a faculdade
de letras esse ano. Porque ela também quer ser escritora, quer seguir a carreira de seus pais. Melzinha
tem o dom pra isso.
***
-Pai, posso falar com você? –perguntei encontrando meu
pai em seu escritório.
-Não pode ser outra hora? –ele perguntou sem desviar os
olhos do computador onde escrevia.
-Não. –ele parou de escrever com raiva.
-Tá bom. Vamos lá pra sala! –ele levantou e seguiu comigo
até a sala. Mamãe
apareceu por lá, pois ela já sabia o que eu iria pedir. Eu
pedi ela que me
ajudasse com esse pedido. E ela obviamente aceitou.
-Anda, fala. Tenho mais o que fazer. –suspirei e comecei
a falar.
-Bom, como todos os meus amigos vão começar a faculdade
agora, eu também
quero e de música. Então pai, eu posso ir? –ele apoiou sua mão
sobre o queixo e
fingiu pensar.
-Não! –ele saiu andando de volta para se escritório.
-PAI! –gritei. Ele se virou.
-Já disse não!
-Mais pai...
-Não!
-PAI!!!!! É O MEU SONHO! POR QUE NÃO POSSO REALIZÁ-LO?
-Porque você é atriz e não cantora. Quero você
trabalhando pra mim e não pros
outros. –ele entrou por vez no escritório.
-QUE DROGA!! –gritei chutando o sofá já com lágrimas
descendo pelos olhos.
-Filha, não faz isso. –Mamãe tentou me acalmar.
-Eu to cansada dele sempre me negar as coisas que eu
quero, mãe! EU CANSEI!
–saí correndo pra fora da casa.
-LUA!! –mamãe me gritou e correu atrás de mim.
-Mãe, me deixa!!! –corri mais.
Há algum tempo eu perdi o fôlego e parei de correr. Acho
que minha mãe deixou
eu ficar um tempo sozinha. Parei e observei o lugar onde
eu estava. Era escuro.
Era deserto. Não vi nenhuma árvore. Não sabia pra onde
tinha corrido. Vim
totalmente sem direção. Mas enfim, não tenho medo. Já fiz
filmes parecidos com
isso.
Você deve estar pensando que minha vida é toda cinematográfica, não é? Pode
até
ser, na maioria das vezes, mas, em muitos momentos ela é totalmente real...
como agora!
Fui caminhando. Encontrei um bar aberto. Eu preciso beber
alguma coisa.
-Me dá uma vodka? –pedi me sentando no banquinho em frente
ao balcão. Ele
me olhou esquisito mais trouxe. Eu paguei e sai. Fui caminhando
pela escuridão
de novo. Pro meu azar eu não tinha trago o celular. Saí
correndo, então, não fiz
pausa para pegar meu celular. Enfim, encontrei uma
ferrovia de trem que estava escrito “proibido ultrapassar” Ah, que ótimo.
Interditado. Mais eu não to nem aí, vou entrar nessa droga! Se o trem vier, não
vai fazer a mínima diferença da minha existência.
Pulei a plaquinha irritante da ferrovia e entrei. Estava
de tênis, então, tirei só pra relaxar mais. Encostei na parede e apoiei meu pé
pra trás. Comecei a beber. Fechei os olhos e fiquei ouvindo os sons da noite.
De repente ouvi um barulho estranho. Primeiro parecia um
zumbido, mas depois mudou para sirene de polícia. Sirene de polícia??? Da onde?
Olhei pra fora da ferrovia e vi um moreno alto, de topete, com uniforme azul
marinho e com um alto-falante dizendo bem alto: “Saia daí imediatamente!” Senti
por um momento em responder aquele policial chato, mas, como é da autoridade resolvi não falar nada e sair
dali.
Me aproximei dele em silêncio.
Me aproximei dele em silêncio.
-O que está fazendo aqui? –A expressão dele era fria, ele
tinha um olhar sinistro. Meus olhos foram mergulhando no mar preto dos seus
olhos. –Anda, responde! –pensei em dizer que estava perdida. Mas como já estava
tudo ferrado mesmo, resolvi apelar pra tudo de vez.
-Fugi de casa.
-E diz isso na maior simplicidade do mundo? –ele
perguntou calmo.
-Sim. Por que não diria?
-Tudo bem que você queira fugir. Sei como é isso. Mas,
você sabe que não pode
vir aqui.
-Eu sei. E por isso mesmo que eu vim.
-Está desafiando as autoridades, mocinha. Você podia ter
morrido.
-Não tenho medo de morrer.
-Você até pode não ter. Mas tenho certeza que seus pais sentiriam
medo de te
perder.
-Eles não ligam pra mim. Nem faria diferença se eu
morresse. –ele ficou calado
por alguns instantes. O trem passou em uma
velocidade super rápida na ferrovia.
Fez um barulho muito alto com sua buzina e
balançou meus cabelos com o vento.
-Isso eu já não sei. Só sei que você está encrencada.
Vire-se! –olhei no fundo de
seus olhos e me virei logo em seguida. Senti uma
coisa gelada preenchendo
meus pulsos. Por fora eu estava tranquila, ou pelo
menos tentando parecer. Já
por dentro, eu estava com medo. Era estranho me
sentir presa desse jeito.
Ele segurou em meu braço me virando pra ele. E depois me arrastou até a viatura
policial onde me colocou onde os prisioneiros ficam.
-Não pode me deixar no banco de trás sem essas grades?
-Não.
-Por que?
-Porque você fez coisa errada, e aí é o seu lugar. –ele
disse sem olhar pra mim.
Ele escrevia algo em uma prancheta. Parecia um
questionário onde só tinha X.
-Se eu tiver uma crise de claustrofobia e morrer, quem
vai ser preso vai ser você.
-disse com confiança. Ele se virou pra mim com um
olhar assustado, mas logo
disfarçou e perguntou:
-Como vou saber se não está mentindo?
-Não sei. O negócio é que, se eu morrer a culpa é sua.
–eu dizia tudo
calmamente.
-Era você que queria se matar agora a pouco.
-Não, eu não queria me matar. Só vim pra cá relaxar.
-Não vou ficar jogando conversa fora com você. -ele jogou
a prancheta no banco
do passageiro e dirigiu. Mas antes, ele engatou o cinto de
segurança, óbvio. Um
policial “certinho”
como esse nunca deixaria de usar.
Chegamos à delegacia. Sinceramente, eu nem sabia onde ficava a delegacia aqui
em Los Angeles. A única coisa que eu frequentava aqui era o McDonald’s, o
parque, as festas do Micael na casa dele e Hollywood.
O “certinho” abriu o porta-malas onde eu estava e me tirou de lá. Ele novamente me pegou pelo braço e me arrastou até a delegacia.
Ao entrar lá eu não esperava encontrar um bando de formigueiros. Eles comiam rosquinhas doces com os pés apoiados nas mesas e sentados feito malandros. “Certinho” olhou pra eles com um olhar fulminante. Eles tiraram os pés das mesas e saíram. Por trás dessas “formigas” vi uma mulher. Ela parecia ter uns 40 anos. Mas tinha uma boa aparência. Era bem cuidada. Quando ela me viu se engasgou com a rosquinha doce que comia. Mas ela ficou bem.
O “certinho” abriu o porta-malas onde eu estava e me tirou de lá. Ele novamente me pegou pelo braço e me arrastou até a delegacia.
Ao entrar lá eu não esperava encontrar um bando de formigueiros. Eles comiam rosquinhas doces com os pés apoiados nas mesas e sentados feito malandros. “Certinho” olhou pra eles com um olhar fulminante. Eles tiraram os pés das mesas e saíram. Por trás dessas “formigas” vi uma mulher. Ela parecia ter uns 40 anos. Mas tinha uma boa aparência. Era bem cuidada. Quando ela me viu se engasgou com a rosquinha doce que comia. Mas ela ficou bem.
-Lua Blanco?? –ela perguntou me olhando com um olhar de
surpresa.
-Sim.
-Arthur, o que ela está fazendo aqui? –ela questionou o “certinho”. Acho que o
nome dele é
Arthur.
-Se meteu em encrenca, agora ela veio pra cá.
-Arthur você conhece ela?
-Não sei, talvez sim, talvez não. –Mais que cara complicado!
Olhei pra ele com
um olhar de tédio e rolei os olhos.
-Ela é filha do Billy Blanco!
-E daí? –agora ele falou como um adolescente.
-E daí que isso vai dar a maior polêmica.
-Eu não tenho nada a ver com isso. Problema é do Sr.
Billy Blanco. –ele tirou as
algemas de mim e segurou em meu pulso. Me levou até
uma cadeira perto da
mesa e prendeu meu pulso com a algema e juntou com a
cadeira. Ele foi andando
até outra sala dizendo:
-Vigie ela Meredith. Vou falar com o Patrick. –ele saiu.
Meredith se aproximou de
mim com um olhar de medo. Apoiou seus cotovelos em minhas
pernas e olhou no
fundo em meus olhos. Eu apenas olhava pra ela com
simplicidade.
-O que você fez?
-Fui para um lugar proibido.
-Que lugar?
-Não sei muito bem. Só sei que era uma ferrovia de trem.
-Ah, a ferrovia Sky Street. Arthur
adora vigiar aquela área. Mas por que você foi
pra lá?
-Fugi de casa. Aí me perdi. Só que não contei isso pro “certinho”. –Ela riu de leve.
-Ele é mesmo muito certinho.
Mas, sabe que seus pais irão ter de vir aqui te
buscar, não sabe?
-Sei. E não ligo pra isso. Por mim que se dane.
-Ok! –ela levantou e se sentou em sua cadeira. Arthur e
um cara chegaram na
sala. Acho que devia ser Patrick. Patrick se aproximou de
mim.
-Olá Lua Blanco.
-Oi.
-Me conta por que você foi pra ferrovia Sky Street?
-Porque eu quis. Gosto de desrespeitar as leis chatas de
vocês. –ele olhou sério
para mim e se afastou. Foi para a outra sala e ligou
pra alguém. Devia ser meu
pai.
Realmente eu não estava ligando pra nada do que ia acontecer. Já sabia que
meu
pai falaria mil coisas pra mim, diria tudo que nenhuma garota gostaria de
ouvir. Enfim, dane-se!
Escrito por Sarah Marques
...CONTINUA!...
COMENTEM, POR FAVOR? :)

























Nenhum comentário:
Postar um comentário