quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Longe Demais (Capítulo 2)




POV's Lua

-Ainda não sei. Só que, se ele não cooperar com meu sonho, eu vou apelar, sem dúvidas.

-Olha lá o que você vai fazer, em Lua.

-Mel! Você me conhece né?

-Conheço até demais. E é isso que me deixa com medo. –Mel era do tipo de garota que tinha medo de aprontar. Mas é claro, ela tinha o carinho do pai dela, ela era o orgulho da família. Ela vai começar a faculdade de letras esse ano. Porque ela também quer ser escritora,  quer seguir a carreira de seus pais. Melzinha tem o dom pra isso.

***

-Pai, posso falar com você? –perguntei encontrando meu pai em seu escritório.

-Não pode ser outra hora? –ele perguntou sem desviar os olhos do computador onde escrevia.

-Não. –ele parou de escrever com raiva.

-Tá bom. Vamos lá pra sala! –ele levantou e seguiu comigo até a sala. Mamãe 
apareceu por lá, pois ela já sabia o que eu iria pedir. Eu pedi ela que me 
ajudasse com esse pedido. E ela obviamente aceitou.

-Anda, fala. Tenho mais o que fazer. –suspirei e comecei a falar.

-Bom, como todos os meus amigos vão começar a faculdade agora, eu também 
quero e de música. Então pai, eu posso ir? –ele apoiou sua mão sobre o queixo e 
fingiu pensar.

-Não! –ele saiu andando de volta para se escritório.

-PAI! –gritei. Ele se virou.

-Já disse não!

-Mais pai...

-Não!

-PAI!!!!! É O MEU SONHO! POR QUE NÃO POSSO REALIZÁ-LO?

-Porque você é atriz e não cantora. Quero você trabalhando pra mim e não pros 
outros. –ele entrou por vez no escritório.

-QUE DROGA!! –gritei chutando o sofá já com lágrimas descendo pelos olhos.

-Filha, não faz isso. –Mamãe tentou me acalmar.

-Eu to cansada dele sempre me negar as coisas que eu quero, mãe! EU CANSEI! 
–saí correndo pra fora da casa.

-LUA!! –mamãe me gritou e correu atrás de mim.

-Mãe, me deixa!!! –corri mais.

Há algum tempo eu perdi o fôlego e parei de correr. Acho que minha mãe deixou 
eu ficar um tempo sozinha. Parei e observei o lugar onde eu estava. Era escuro. 
Era deserto. Não vi nenhuma árvore. Não sabia pra onde tinha corrido. Vim 
totalmente sem direção. Mas enfim, não tenho medo. Já fiz filmes parecidos com 
isso.

Você deve estar pensando que minha vida é toda cinematográfica, não é? Pode 
até ser, na maioria das vezes, mas, em muitos momentos ela é totalmente real... 
como agora!
Fui caminhando. Encontrei um bar aberto. Eu preciso beber alguma coisa.

-Me dá uma vodka? –pedi me sentando no banquinho em frente ao balcão. Ele 
me olhou esquisito mais trouxe. Eu paguei e sai. Fui caminhando pela escuridão 
de novo. Pro meu azar eu não tinha trago o celular. Saí correndo, então, não fiz 
pausa para pegar meu celular. Enfim, encontrei uma ferrovia de trem que estava escrito “proibido ultrapassar” Ah, que ótimo. Interditado. Mais eu não to nem aí, vou entrar nessa droga! Se o trem vier, não vai fazer a mínima diferença da minha existência.
Pulei a plaquinha irritante da ferrovia e entrei. Estava de tênis, então, tirei só pra relaxar mais. Encostei na parede e apoiei meu pé pra trás. Comecei a beber. Fechei os olhos e fiquei ouvindo os sons da noite.
De repente ouvi um barulho estranho. Primeiro parecia um zumbido, mas depois mudou para sirene de polícia. Sirene de polícia??? Da onde? Olhei pra fora da ferrovia e vi um moreno alto, de topete, com uniforme azul marinho e com um alto-falante dizendo bem alto: “Saia daí imediatamente!” Senti por um momento em responder aquele policial chato, mas, como é da autoridade resolvi não falar nada e sair dali.
Me aproximei dele em silêncio.

-O que está fazendo aqui? –A expressão dele era fria, ele tinha um olhar sinistro. Meus olhos foram mergulhando no mar preto dos seus olhos. –Anda, responde! –pensei em dizer que estava perdida. Mas como já estava tudo ferrado mesmo, resolvi apelar pra tudo de vez.

-Fugi de casa.

-E diz isso na maior simplicidade do mundo? –ele perguntou calmo.

-Sim. Por que não diria?

-Tudo bem que você queira fugir. Sei como é isso. Mas, você sabe que não pode 
vir aqui.

-Eu sei. E por isso mesmo que eu vim.

-Está desafiando as autoridades, mocinha. Você podia ter morrido.

-Não tenho medo de morrer.

-Você até pode não ter. Mas tenho certeza que seus pais sentiriam medo de te 
perder.

-Eles não ligam pra mim. Nem faria diferença se eu morresse. –ele ficou calado 
por alguns instantes. O trem passou em uma velocidade super rápida na ferrovia. 
Fez um barulho muito alto com sua buzina e balançou meus cabelos com o vento.

-Isso eu já não sei. Só sei que você está encrencada. Vire-se! –olhei no fundo de 
seus olhos e me virei logo em seguida. Senti uma coisa gelada preenchendo 
meus pulsos. Por fora eu estava tranquila, ou pelo menos tentando parecer. Já 
por dentro, eu estava com medo. Era estranho me sentir presa desse jeito.

Ele segurou em meu braço me virando pra ele. E depois me arrastou até a viatura 
policial onde me colocou onde os prisioneiros ficam.

-Não pode me deixar no banco de trás sem essas grades?

-Não.

-Por que?

-Porque você fez coisa errada, e aí é o seu lugar. –ele disse sem olhar pra mim. 
Ele escrevia algo em uma prancheta. Parecia um questionário onde só tinha X.

-Se eu tiver uma crise de claustrofobia e morrer, quem vai ser preso vai ser você. 
-disse com confiança. Ele se virou pra mim com um olhar assustado, mas logo 
disfarçou e perguntou:

-Como vou saber se não está mentindo?

-Não sei. O negócio é que, se eu morrer a culpa é sua. –eu dizia tudo 
calmamente.

-Era você que queria se matar agora a pouco.

-Não, eu não queria me matar. Só vim pra cá relaxar.

-Não vou ficar jogando conversa fora com você. -ele jogou a prancheta no banco 
do passageiro e dirigiu. Mas antes, ele engatou o cinto de segurança, óbvio. Um 
policial “certinho” como esse nunca deixaria de usar.

Chegamos à delegacia. Sinceramente, eu nem sabia onde ficava a delegacia aqui 
em Los Angeles. A única coisa que eu frequentava aqui era o McDonald’s, o 
parque, as festas do Micael na casa dele e Hollywood.
O “certinho” abriu o porta-malas onde eu estava e me tirou de lá. Ele novamente me pegou pelo braço e me arrastou até a delegacia.
Ao entrar lá eu não esperava encontrar um bando de formigueiros. Eles comiam rosquinhas doces com os pés apoiados nas mesas e sentados feito malandros. “Certinho” olhou pra eles com um olhar fulminante. Eles tiraram os pés das mesas e saíram. Por trás dessas “formigas” vi uma mulher. Ela parecia ter uns 40 anos. Mas tinha uma boa aparência. Era bem cuidada. Quando ela me viu se engasgou com a rosquinha doce que comia. Mas ela ficou bem.

-Lua Blanco?? –ela perguntou me olhando com um olhar de surpresa.

-Sim.

-Arthur, o que ela está fazendo aqui? –ela questionou o “certinho”. Acho que o 
nome dele é Arthur.

-Se meteu em encrenca, agora ela veio pra cá.

-Arthur você conhece ela?

-Não sei, talvez sim, talvez não. –Mais que cara complicado! Olhei pra ele com 
um olhar de tédio e rolei os olhos.

-Ela é filha do Billy Blanco!

-E daí? –agora ele falou como um adolescente.

-E daí que isso vai dar a maior polêmica.

-Eu não tenho nada a ver com isso. Problema é do Sr. Billy Blanco. –ele tirou as 
algemas de mim e segurou em meu pulso. Me levou até uma cadeira perto da 
mesa e prendeu meu pulso com a algema e juntou com a cadeira. Ele foi andando 
até outra sala dizendo:

-Vigie ela Meredith. Vou falar com o Patrick. –ele saiu. Meredith se aproximou de 
mim com um olhar de medo. Apoiou seus cotovelos em minhas pernas e olhou no 
fundo em meus olhos. Eu apenas olhava pra ela com simplicidade.

-O que você fez?

-Fui para um lugar proibido.

-Que lugar?

-Não sei muito bem. Só sei que era uma ferrovia de trem.

-Ah, a ferrovia Sky Street. Arthur adora vigiar aquela área. Mas por que você foi 
pra lá?

-Fugi de casa. Aí me perdi. Só que não contei isso pro “certinho”. –Ela riu de leve.

-Ele é mesmo muito certinho. Mas, sabe que seus pais irão ter de vir aqui te 
buscar, não sabe?

-Sei. E não ligo pra isso. Por mim que se dane.

-Ok! –ela levantou e se sentou em sua cadeira. Arthur e um cara chegaram na 
sala. Acho que devia ser Patrick. Patrick se aproximou de mim.

-Olá Lua Blanco.

-Oi.

-Me conta por que você foi pra ferrovia Sky Street?

-Porque eu quis. Gosto de desrespeitar as leis chatas de vocês. –ele olhou sério 
para mim e se afastou. Foi para a outra sala e ligou pra alguém. Devia ser meu 
pai.

Realmente eu não estava ligando pra nada do que ia acontecer. Já sabia que 
meu pai falaria mil coisas pra mim, diria tudo que nenhuma garota gostaria de 
ouvir. Enfim, dane-se!

Escrito por Sarah Marques

...CONTINUA!...
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