quinta-feira, 21 de março de 2013

A Bela e a Fera (Capítulo 34)





Você não é um monstro. Lua  levantou-se,  olhando para a mão estendida no ar. Os dedos de Arthur tremiam, e ela apressou-se para ele, segurando-lhe a mão e apertando-a contra o rosto.


—  Oh, Lua — gemeu Arthur. Ela puxou-o para a sombra.


— No escuro — sussurrou —, somos iguais. Não, shh... Não sou a antiga rainha da beleza. Você não tem cicatrizes. Somos apenas duas pessoas,Arthur . Não existe nada além disso.


— Não podemos ficar aqui, e na luz...


— Na luz somos duas pessoas, cada qual com suas imperfeições. — Ela ergueu o olhar, vendo a silhueta das cicatrizes que ele escondera por tanto tempo, mas não com nitidez. — Me mostre.


Arthur respirou fundo, sabendo que aquele era o momento em que perderia tudo que tinha conseguido e que tanto desejava. Virou-se para o fogo, lentamente, levando-a consigo.


A luz espalhou-se sobre o rosto de Arthur, que se encolheu, num gesto instintivo, embora não deixasse de fitá-la. Ele esperou. Esperou pela repugnância, pela rejeição no rosto de Lua.


Mas nada aconteceu.


Lua observou-o, lentamente, sentindo a tensão que o dominava, como se esperasse vê-la sair correndo dali. Mas não iria a lugar algum. Ele encontrara coragem para mostrar-se, e não iria decepcioná-lo. Aquele momento significava muito para ela, revelando-lhe coisas que Arthur não conseguira dizer. E aquela confiança era o maior presente que poderia receber.


Ele ainda era um homem muito bonito. Só de fitar aqueles lindos olhos castanhos, iguais aos da filha, o coração dela disparou.


—  Seus olhos são maravilhosos — disse ela. — E parece que esperei décadas para vê-los.


Por um instante, ela apenas saboreou o momento. Então, seu olhar voltou-se para as cicatrizes. Quanta dor ele devia ter sofrido, imaginou, tocando com a ponta dos dedos as marcas que tanto o faziam sofrer. Ele fechou os olhos, respirando pesadamente.


Eram como marcas das garras de um animal selvagem. Duas tinham cortado a testa, próximo aos cabelos, uma descia pela sobrancelha. Havia outra no canto de uma pálpebra, perto do olho. Mais uma descia pelo rosto, até a mandíbula, continuando pelo pescoço, até desaparecer dentro da camisa.

...CONTINUA!...

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