Você não é um
monstro. Lua levantou-se, olhando para a mão estendida no ar. Os
dedos de Arthur tremiam, e ela apressou-se para ele, segurando-lhe a mão e apertando-a
contra o rosto.
— Oh, Lua —
gemeu Arthur. Ela puxou-o para a sombra.
— No escuro —
sussurrou —, somos iguais. Não, shh... Não sou a antiga rainha da beleza. Você
não tem cicatrizes. Somos apenas duas pessoas,Arthur . Não existe nada além disso.
— Não podemos ficar
aqui, e na luz...
— Na luz somos duas
pessoas, cada qual com suas imperfeições. — Ela ergueu o olhar, vendo a
silhueta das cicatrizes que ele escondera por tanto tempo, mas não com nitidez.
— Me mostre.
Arthur respirou fundo,
sabendo que aquele era o momento em que perderia tudo que tinha conseguido e
que tanto desejava. Virou-se para o fogo, lentamente, levando-a consigo.
A luz espalhou-se
sobre o rosto de Arthur, que se encolheu, num gesto instintivo, embora não
deixasse de fitá-la. Ele esperou. Esperou pela repugnância, pela rejeição no
rosto de Lua.
Mas nada aconteceu.
Lua observou-o,
lentamente, sentindo a tensão que o dominava, como se esperasse vê-la sair
correndo dali. Mas não iria a lugar algum. Ele encontrara coragem para
mostrar-se, e não iria decepcioná-lo. Aquele momento significava muito para
ela, revelando-lhe coisas que Arthur não conseguira dizer. E aquela confiança
era o maior presente que poderia receber.
Ele ainda era um
homem muito bonito. Só de fitar aqueles lindos olhos castanhos, iguais aos da
filha, o coração dela disparou.
— Seus olhos
são maravilhosos — disse ela. — E parece que esperei décadas para vê-los.
Por um instante, ela
apenas saboreou o momento. Então, seu olhar voltou-se para as cicatrizes.
Quanta dor ele devia ter sofrido, imaginou, tocando com a ponta dos dedos as
marcas que tanto o faziam sofrer. Ele fechou os olhos, respirando pesadamente.
Eram como marcas das
garras de um animal selvagem. Duas tinham cortado a testa, próximo aos cabelos,
uma descia pela sobrancelha. Havia outra no canto de uma pálpebra, perto do
olho. Mais uma descia pelo rosto, até a mandíbula, continuando pelo pescoço,
até desaparecer dentro da camisa.
...CONTINUA!...
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