sábado, 22 de junho de 2013

June 15th




Capítulo 14.

— Arthur, Thur... acorda! — chamei bagunçando o seu cabelo e o fazendo resmungar. — São 6h da manhã.
— Meu voo só é às 10h! — falou escondendo o rosto no travesseiro.
— É, ô egocêntrico, mas eu tenho aula daqui a pouco e a Mel também. Você vai ficar aqui sozinho?
— Eu já sou grandinho... — respondeu simplesmente e eu ri.
— Vamos, não vou te chamar de novo! — ouvi-o resmungar alguma coisa e fui para o banheiro, tomar banho. Tirei o babydoll e fechei o box. Liguei o chuveiro e senti a água morna bater no corpo. Fechei os olhos e entrei completamente. Aquele era um dos banhos mais felizes que eu havia tido. Tinha acabado de acordar ao lado de um homem perfeito após ter uma noite perfeita. Convenhamos que essas coisas não acontecem sempre, ainda mais comigo. Ouvi a porta do banheiro abrir e, devido à cor esverdeada do vidro, pude ver, sem muita nitidez, que era Arthur... E ainda estava apenas de boxers.
— Posso fazer xixi? — perguntou com a voz ainda rouca e eu ri.
— Pode, ué. Por que não? — respondi passando a esponja nos ombros.
— Sei lá, vai que você se incomoda de me ver fazer isso...
— Nada que eu já não tenha visto... — devolvi na mesma moeda as piadinhas que ele vinha fazendo. Arthur riu alto.
— E gostado, assuma — ele sempre consegue me deixar corada.
— Vai fazer xixi e me erra, Arthur — falei num tom indignado, mas rindo.
— Pronto, infelizmente acho que você nem conseguiu ver nada, né? — vangloriou-se, indo para a pia e creio que lavando as mãos e depois o rosto.
— Ah, claro. Pode ter certeza — ironizei.
— Você já devia ter comprado uma escova de dente pra mim — comentou, mexendo no armário.
— Pra quê? Pra você se mudar de vez? — brinquei e ele riu.
— Quem sabe — disse ainda mexendo.
— Escova com o dedo. Nunca te ensinaram? — aconselhei.
— Dããããããã, você acha que eu vou fazer o quê?
— Tanto faz. Mas lembre-se de que o dedo é o da mão.
— Porra, Luh , eu achei que você era legal! — reclamou com dificuldade, pois devia estar passando pasta de dente na boca com o dedo.
— Não entendi nada, parece que não sabe falar! — menti, só para tirar com a cara dele. Arthur resmungou alguma coisa e dessa vez eu realmente não pude entender. Então, ouvi-o despejar a pasta com água.
— Você não vai precisar entender — falou sério.
— UUUUUUIIIIIIII, que medo, Thur — ri alto.
— A gente conversa na cozinha.
— 'Tá, mas vê se se veste! — ordenei e ele bateu a porta.
Continuei o banho e logo terminei, enxugando-me. Enrolei-me na toalha e fui para a pia escovar os dentes. Em seguida, voltei para o quarto e fechei a porta. Já podia ouvir Mel e Thur tagarelando na cozinha. Abri o guarda - roupa e joguei algumas peças na cama. Estava em dúvida. Vesti a calcinha e enrolei os cabelos na toalha. Dentre todas as calças que estavam em cima da cama, optei por uma básica, de jeans claro e uma camiseta branca. Depois escolhi um agasalho, estava começando a esfriar. Vesti-me, penteei o cabelo, estendi a toalha na porta do banheiro e passei um perfume suave, o mesmo que passei quando Thur disse que meu cheiro o enlouquecia. Saí do quarto e fui em direção à cozinha. Thur estava do lado de Mel e já comia.
— Bom dia! — os dois falaram em coro e eu os olhei espantada.
— Bom dia, mas meu Deus, que união é essa de vocês dois? — perguntei estranhando.
— Sabe o que é... É que eu estou contando pro Arthur que meu aniversário é semana que vem, e ele disse que talvez já vão estar de volta a Londres. Então eu quero que eles toquem na minha festa! — contou empolgada, batendo palminhas. Arthur apenas ria de cabeça baixa, passando manteiga em seu segundo pedaço de pão.
— Huuuuum, boa ideia! — falei sentando de frente para Mel e pegando um pão, esperei Arthur acabar de passar manteiga para poder pegar. — E qual é a resposta, Arthur?
— Ah, por mim está tudo certo! Com certeza para os caras também. Nenhum deles seria louco de recusar um convite da louca — falou caçoando de Mel, ela o xingou — Vou ver direito se vamos ter compromissos, mas pelo que eu lembro não vai ter nada quando voltarmos — deu de ombros.
— É melhor você ver direito mesmo, porque eu estou sabendo pelo Harry que parece que o Fletch te avisou da conferência e você esqueceu de avisar os outros. Se você confirmar que vão tocar na minha festa e me der um bolo, está morto! — Mel jogou um olhar fuzilante e Thur riu, passando-me a faca e o pote de manteiga.
— Isso aí eu esqueci porque era trabalho. Mas quando é diversão, conte comigo! — sorriu maroto e bateu a mão em high five com Mel.
Continuamos conversando sobre a festa de aniversário dela, bem que eu avisei que logo, logo ela começaria a falar disso. Era a mais empolgada da mesa. Contava como queria a decoração, as músicas e até contou quase que de um por um os convidados.
— Não quero que a sua namorada vá. De resto, vocês quatro podem levar quem quiserem — ela disse como se fosse a coisa mais simples para alguém falar. Odeio quando Mel faz isso. Queria me esconder debaixo da mesa e só aparecer quando Arthur tivesse sumido de vista, então eu pegaria os cabelos dela e arrancaria.
— Que é isso, Mel! Que coisa mais feia... se eles podem levar quem querem, o Thur pode levar a Sophie se quiser — tentei ser cordial, na verdade eu também queria que Sophie faltasse, mas não queria que Thur tivesse uma idéia errada de que eu tivesse mandado Mel dizer aquilo. Olhei-o e ele apenas ria, mexendo no celular.
— É, mas o aniversário é meu e eu não tenho boas recordações dela. Não a quero lá e ponto final! — disse batendo na mesa e eu balancei a cabeça, não acreditando no que ela acabara de falar.
— Eu acho que a Mel está completamente certa! — Thur se pronunciou sobre o assunto e Mel deu a mão para que batessem high five de novo. Dois loucos, definitivamente.
— Vocês é que sabem, mas ainda acho isso errado — terminei de comer e levantei. Vi Arthur discar algum número e colocar o celular na orelha. Mel levantou e fomos andando para a sala.
— Deixa de ser hipócrita, . Eu sei que você não quer que a Sophie vá... Eu também não quero, então vamos unir o útil ao agradável e seremos todos felizes — falou de forma óbvia, quase desenhando.
— É, só que você faz isso e fica parecendo que eu mandei dizer para não chamá-la! Eu não quero que ele se sinta pressionado, como se tivesse que escolher uma das duas! — argumentei indignada e ela me olhou séria.
— Então 'tá, eu vou lá e digo pra ele levar a Sophie. Você passa a festa inteira assistindo os dois se beijarem e chega em casa chorando. 'Tá legal assim? — colocou as mãos na cintura e ficou me olhando. Por que Mel me conhece tão bem?
— 'Tá, 'tá, Mel. Você venceu — abanei o ar e ela comemorou. Assim que falei isso, Arthur entrou na sala, guardando o celular no bolso.
— O nosso motorista está vindo me buscar. Falei que vou esperar lá embaixo.
— Então vamos todos descendo, a gente já está quase atrasada também — Mel lembrou, pegando um casaco que estava pendurado no braço do sofá e seu material, que estava jogado, também no sofá. Confirmei e fui até o meu quarto pegar uma bolsa e os meus cadernos. Voltei para a sala e Thur e Mel já me esperavam na porta. Saí e trancamos tudo. Descemos as escadas conversando, ou melhor, Mel e Thur conversavam. Eu estava me sentindo estranha, Arthur ia viajar de novo, ficar sei lá quanto tempo fora e eu sabia como me sentiria se ele nem ao menos ligasse. Eu estava com tanto medo de tudo mudar a partir do momento que ele sumisse de vista.
Chegamos à frente do prédio e continuamos conversando. Agora eu tentava me interessar por algum assunto e não pensar tanto no que me aguardaria nos próximos dias.
— Acho que é ele ali, né? — Arthur perguntou, olhando atento para o final da rua, onde surgia um carro importado.
— Não sei, Arthur, você que anda aí, você que sabe — respondi brincando e Mel riu. Ele me olhou, fazendo careta e já abraçando Mel em seguida. O carro já estacionava.
— Boa viagem, Thur. Manda beijos pra todos, principalmente pro Mica — Mel falou sugestiva e Thur riu.
— Pode deixar, aquele nanico vai ser seu — riu alto e Mel comemorou. Eles se soltaram e Arthur veio em minha direção. O meu coração batia disparado e abafado. Não sei por que, eu sabia que ele voltaria logo, mas aquela despedida não estava sendo fácil para mim. — Hey... — falou cutucando a ponta do meu nariz com o dedo indicador e eu ri. Em seguida, se abaixou um pouco para ficar na minha altura e ficamos com as testas coladas, nos olhando. — Eu volto logo, me espera — pediu, então deixei os cadernos caírem. Ele segurou as minhas mãos e me deu um selinho. Senti um nó na garganta, não queria ficar duas semanas sem ele de novo. Agora seria mais difícil ainda, depois do tempo que passamos juntos. Thur cessou o beijo e me olhou atento. Assenti sorrindo. — Vou sentir sua falta — sorriu fraco e eu senti o coração ficar do tamanho de um grão de areia.
— Eu também — falei simplesmente, soltei suas mãos e o abracei apertado. Juro que tentei me segurar, para não parecer dramática e desesperada, mas não foi possível. Durante o abraço, ele deu um beijo no topo de minha cabeça e me apertou mais ainda. — Agora vai... — me distanciei e o olhei sorrindo, tentando segurar o choro. Se eu o visse mais algum tempo em minha frente, acho que desabaria. Desviei o olhar, porque sentia as lágrimas se acumularem em meus olhos, não queria que Arthur me visse assim. Notei que ele se distanciava, se aproximando do veículo. Então, acenou para nós duas antes de entrar.
— VÊ SE NÃO CONTRATA OUTRA BANDA PRO SEU ANIVERSÁRIO! — gritou fechando a porta e Mel riu, assentindo. Balancei a cabeça e ri. Ficamos ali mais um pouco, assistindo o carro se distanciar. Senti pontadas no peito e o nó na garganta ficar cada vez maior. Já não conseguia mais suportar.
— Luh? Tudo bem? — Mel me olhou preocupada e eu só lembro de ter negado e senti-la me abraçando apertado. Eu chorava muito, soluçava como uma criança e me sentia cada vez mais idiota por isso. Mas não conseguia controlar.
— Desculpa — falei me desvencilhando e enxugando algumas lágrimas, tentando conter os soluços. Mel balançou a cabeça.
— Olha o que esse idiota está conseguindo fazer com você! — deu um tapa na própria testa e riu. Comecei a rir também. — Tudo bem que ele é lindo, maravilhoso, e suas qualidades corporais são inquestionáveis, mas nunca te vi assim!
— Nem eu — falei agradecendo mentalmente por conseguir me acalmar. — Eu nunca senti isso antes.
— Você nunca se apaixonou por alguém antes — ela concluiu e eu a olhei assustada.
— Eu não estou apaixonada! — tentei convencer mais a mim mesma do que Mel.
— Ah, não. Está chorando porque não sente nada pelo Arthur — revirou os olhos e colocou as mãos na cintura.
— Não é assim! É que eu gosto da companhia dele. Eu saberia conviver muito bem com o fato de sermos só amigos... Mas sinto sua falta — dei de ombros.
— Acredito em você, amiga — sorriu ironicamente. — Agora vamos, temos que continuar as nossas vidas. Semana que vem esse imbecil gostosão está de volta e você vai ficar feliz da vida! — é impossível não rir do que Mel fala. Dei um tapa leve em suas costas e juntei os meus cadernos. Fomos andando e conversando sobre o nosso assunto favorito nos últimos dias: McFly. Cada vez ia sentindo uma falta maior de Thur. Meu Deus, como eu sou imbecil! Ele não estava indo embora para sempre, eram só alguns dias! Que drama!
Chegamos à esquina e havia alguns táxis estacionados, pegamos um juntas e eu fui deixada primeiro, o meu curso era mais próximo dali do que a faculdade de Mel. Tentei dedicar toda a minha concentração nas aulas, mas acontecia totalmente o contrário. Peguei-me viajando para longe dali várias vezes, mas fazia um esforço e voltava para os velhos cálculos de matemática. Pedi o caderno de uma colega emprestado e fiquei copiando a matéria do dia anterior, durante o intervalo. Era melhor assim, mente ocupada e sorriso no rosto.
— Lua, o que você vai fazer amanhã à noite? — desconcentrei-me das minhas anotações com Jake cochichando na cadeira atrás de mim. Virei-me subitamente. “Ah Jake, vou me prostituir.”
— Não sei, por quê? — cochichei.
— A gente está pensando em fazer uma reunião, numa pizzaria. Você vai querer ir? — perguntou sorrindo e eu sorri de volta.
— Eu quero! — falei animada. Estava precisando de uma boa noite com amigos e conversa fiada. F***-se dinheiro e tudo mais. Ia tentar pegar três clientes essa noite e compensar.
— Beleza. Chama a Mel também! — falou um pouco mais alto e eu assenti. Jake conhece Mel, quer dizer, as pessoas que eu mais falo em minha classe a conhecem. Nós costumamos sair todos juntos às vezes e ela sempre vai. A mesma coisa é com os seus amigos de faculdade, quando estou disposta, sempre vou com ela nos encontros e festas. Voltei a minha atenção para a aula e me senti um pouco mais animada após combinar de sair com Jake e o pessoal. O sinal tocou e fui andando devagar pelos corredores.
— A minha prima vai pro show deles hoje lá em Manchester! Ela tem ingresso VIP — ouvi duas garotas conversarem na minha frente e fiquei prestando atenção.
— MENTIRA? — a outra berrou. — Que sortuda! Eu morreria só pra conseguir pegar no Arthur Aguiar! — continuou e senti vontade de avançar nos seus cabelos. Eu tenho que trabalhar melhor isso. Estou ficando muito possessiva. É assustador. Dei um jeito e consegui sair de perto delas, não queria ouvir mais coisas daquele tipo.
Caminhei por dois quarteirões e peguei um táxi. Já estava morrendo de fome e torcia para que, ao chegar em casa, Mel já estivesse lá preparando alguma coisa. Encostei a cabeça no vidro e fiquei olhando os prédios em volta. Então enxerguei, em um ponto muito distante, a London Eye.
— Você não vai conseguir respirar assim! — falei baixando a cabeça para observá-lo e comecei a acariciar a sua nuca.
— Eu não preciso respirar aqui, eu poderia morrer assim — disse com a voz sendo abafada, devido a sua boca estar colada em meu casaco. — Não seria nada ruim.
Lembrei com precisão de cada palavra que trocamos dentro da cabine. E também do rosto de Thur, perfeitamente. Pela primeira vez, eu havia sentido como se Thur sentisse por mim pelo menos metade do que sinto por ele. Ele não falou isso, mas fez melhor: com os seus gestos.
— Boa noite, coração — soltou outra risada abafada e eu ri alto.
Ri internamente ao lembrar disso. Arthur consegue ser engraçado e fofo ao mesmo tempo. Acordei para a realidade quando o táxi parou e o taxista ficou me observando. Sorri fraco para ele e perguntei quanto ficava. Ele disse e o paguei. Encarei aquele lugar novamente e lembrei de me despedir de Arthur. Balancei a cabeça e entrei no prédio, subi as escadas lentamente, rezando para que Mel estivesse cozinhando. Por sorte, quando cheguei à porta do apartamento, senti um cheiro bom. Agradeci-a mentalmente e coloquei a chave na fechadura. Entrei e dei de cara com ela discutindo com alguém ao celular. Acenou rindo e eu acenei de volta, estranhando sua braveza no telefone e alegria para mim. Passei por ela e fui para o meu quarto. Sentei na cama e tirei o tênis, depois a calça e o agasalho. Fui até o guarda - roupa, peguei um short de ficar em casa e coloquei, depois calcei chinelos e voltei à sala.
— Que stress era esse? — perguntei vendo-a desligar o celular.
— A minha mãe com as ideias dela! — bufou, indo à cozinha e gesticulando para que eu fosse com ela. Segui-a.
— Que foi dessa vez? — perguntei abrindo as portas do balcão e pegando dois pratos e talheres.
— Estávamos falando sobre o meu aniversário e eu disse que queria que o McFly tocasse. Daí a tonta vem dizer que tinha pensado em um aniversário diferente pra mim, porque queria convidar aqueles amigos sem graça dela e do meu pai... — contou inconformada, colocando as panelas na mesa.
— E o que você disse?
— Que eu não quero! O ANIVERSÁRIO É MEU! MAS QUE PORRA!
— Ela aceitou? — perguntei colocando os talheres do lado direito dos pratos.
— É, depois de eu berrar no ouvido dela, acabou aceitando, mas deve estar com raiva. Meu pai me apóia, eu aposto. Então... — deu de ombros e nos sentamos.
— Que bom, porque aquele ano que ela chamou uma orquestra foi uma tristeza! — falei balançando a cabeça.
— Sim, cara. E ainda disse que tinha uma grande surpresa. Eu esperava ganhar um carro ou sei lá, mas não... Ela contrata uma orquestra. O @#$% de uma orquestra! — falou indignada, servindo-se, e eu ri. — E você? Está melhor?
— Estou sim. Eu acho — respondi me servindo e sentando em seguida. — Ah, o Jake mandou te chamar pra pizzaria amanhã.
— Ah, sério? — bateu palminhas. — Estava sentindo falta deles! Você vai, né?
— Vou. Vou ver se faço uns três programas hoje para compensar amanhã. Preciso me divertir, jogar conversa fora — comentei e Mel comemorou.
— Essa é a Lua que eu conheço!
Continuamos comendo e conversando, ela me contava novamente todos os seus planos para o aniversário e eu dava alguns palpites. Alguns mesmo, porque quando a Mel decide uma coisa, não tem quem mude! Depois começou a brincar, dizendo que os quatro podiam sair de dentro de um bolo gigante, todos semi nus. Eu ri e disse que apoiaria essa ideia completamente. Acabamos de almoçar e Mel me ajudou a lavar as panelas, pratos, talheres e copos. Arrumou-se para ir para o trabalho e eu fiquei sozinha em casa. Sentei na frente da TV e fiquei encarando-a com os pensamentos bem longe. Decidi ligá-la, ver se alguma coisa me agradava. Fiquei passeando pelos canais por um bom tempo até parar em um que passava “Two and a half men”, um dos meus seriados favoritos. Fiquei assistindo e dando gargalhadas. Para a minha alegria, seriam exibidos seis episódios, eu devia estar com alguma sorte. Durante o comercial, fui até a cozinha e abri a geladeira, à procura de alguma coisa doce para comer. Achei aquele velho pote de sorvete de pistache escondido, completamente congelado. Peguei-o e coloquei na pia, para que descongelasse um pouco. Esperei alguns minutos e peguei uma colher, coloquei-a no pote e fui para a sala. Sentei no sofá novamente e voltei a ver TV, tomando sorvete. Fiquei assim o resto do dia e quando percebi, Mel já entrava em casa.
— Você passou o dia todo aí? — perguntou com as mãos na cintura.
— Foi — sorri fraco.
— Ânimo, minha cara! — bateu palmas.
— Náááá, tem mais nada pra fazer aqui. Quer dizer, agora tem, vou tomar banho e ir trabalhar. Leva pra cozinha pra mim? — pedi, entregando o pote de sorvete vazio e a colher suja para ela, que me olhou com uma cara feia, me fazendo rir e sair dali imediatamente.
Entrei em meu quarto e fui logo para o banheiro. Tomei uma ducha rápida e me arrumei também rapidamente. Ia cedo, pois queria pegar mais clientes do que o habitual, devido ao programa que eu tinha marcado com o pessoal da minha turma. Passei por Mel como um foguete, fazendo-a rir assustada e corri para pegar logo um táxi. Cheguei à calçada e por sorte já havia um carro esperando.
(...)
Fiz três programas naquela noite, estava completamente exausta e me sentindo uma porcaria. Era incrível como bastava um dia na calçada para eu me sentir o inverso do que sentia no fim de semana. Chegava a ser grotesco. Entrei em casa e Mel ainda estava acordada, por mais que já passasse de meia-noite.
— Finalmente em casa — falei cansada e ela me olhou.
— Você fez quantos hoje? — perguntou desviando o olhar para a TV.
— Três — respondi bufando e sentei ao seu lado, fechando os olhos e apoiando a cabeça no sofá.
— Meu Deus, que diva! — assobiou e eu dei um tapa leve em seu braço.
— Foi um saco, preciso da minha cama — falei levantando e desejando boa noite a Mel. Tomei um banho bastante demorado, estava me sentindo nojenta, como se tivesse passado uma semana sem tomar banho. Saí e escovei os dentes, em seguida vesti um pijama bastante fechado e me joguei na cama. Ao contrário de tudo que eu esperava naquele momento, demorei a pregar os olhos. Comecei a lembrar de estar com Arthur àquela hora, no dia anterior. Sentindo a sua cabeça em meu busto e fazendo carinho. Ouvindo-o dizer que dormiria três semanas seguidas se eu continuasse massageando a sua cabeça daquela forma. Sorri internamente e desejei de forma irritante que meu celular tocasse e fosse Arthur. Assim como da outra vez que viajou, depois do Children In Need. Lembrei daquelas duas garotas conversando, dizendo que a prima de uma delas ia vê-los hoje em Manchester. Ele devia estar terminando o show naquele momento. Ou até já estava no hotel. Talvez com groupies, talvez sozinho, talvez também pensando em mim. Não, acho que as únicas opções prováveis são as duas primeiras. Senti os olhos fecharem involuntariamente.
— Eu volto logo, me espera — disse, então deixei os cadernos caírem. Ele segurou as minhas mãos e me deu um selinho. — Vou sentir sua falta — sorriu fraco e eu senti o coração ficar do tamanho de um grão de areia.
Alguns dias depois...
— Quem mais falta? — Mel perguntava impaciente, checando todos os convites.
— Você vai chamar o “lado negro” da sua sala? — perguntei fazendo algumas anotações.
— Não, eca! — fez careta e guardou alguns convites que já estavam preenchidos.
— Então acho que já estamos com todos os convites prontos! — entreguei outra remessa para Mel, que respirou aliviada.
— Acabou, amém! Muito obrigada por ter me ajudado, Luh — ela me deu um beijo na bochecha.
Faltavam apenas três dias para o aniversário de Mel, nem preciso comentar que ela estava super ansiosa. Tínhamos tirado aquela noite para conferir os convites e checar se tudo estava certo. Sim, eu tinha faltado no trabalho para ajudá-la. Tiramos o final de semana passado para acertar com decoradores e tudo mais. A festa seria mesmo na mansão de seus pais. Já fazia uma semana desde que Arthur viajou com o McFly. E não, ele não deu nenhum sinal de vida. Mel me mandava relaxar, ele não devia estar com tempo para ligar. Eu tentava pensar isso, mas ficava cada dia mais triste por esse sumiço. Enquanto conferíamos novamente, convite por convite, ouvi o toque de mensagens do meu celular e corri para o quarto, onde ele estava. Respirei fundo, antes de ler. Podia ser da operadora, ou qualquer outra coisa sem importância. Calma: era só disso que precisava.
“Looking up at my star girl
(Eu estou procurando minha garota estelar)
Guess I’m stuck in this mad mad world
(Eu acho que estou preso nesse mundo maluco)
Things that I wanna say, but you’re a million miles away
(Há coisas que eu quero dizer, mas você está a milhões de milhas de distância)
null.”
Se eu não tivesse controle das minhas ações naquele momento, juro que correria para a janela do meu quarto e me jogaria. Ou talvez nem precisasse. O meu coração já batia tão acelerado que podia parar de funcionar a qualquer momento e eu cairia morta ali. Acordei do transe devido a Mel ter me sacudido.
— O que você viu aí? Acorda, ! — perguntou impaciente. Eu mal piscava, apenas entreguei o celular para ela. A mensagem ainda estava aberta. Mel levou uma das mãos à boca e prendeu a respiração. — @#$%¨! @#$%¨! @#$%¨! Que coisa linda! — colocou as mãos no coração e suspirou. Eu ainda a olhava espantada.
— O que ele quis dizer com isso? — perguntei observando as minhas mãos tremerem.
— Que ele quer que você vá dar o #$ — fez careta. — Dãããã! Às vezes você me irrita com essa burrice extrema! Essa canção é “Star Girl” e ela é perfeita! Nós a ouvimos no show, sua débil — deu-me uma cotovelada.
— Então... Ele me mandou o trecho de uma música... O que isso significa? — continuei confusa. Na verdade, acho que não queria enxergar.
— Não qualquer trecho! Ele podia mandar um trecho como “todo mundo gosta de uma festa no sábado à noite”, mas não. Ele te mandou dessa música e esse trecho. Se você não fosse tão retardada, eu teria paciência e desenharia, mas não vou perder meu tempo — entregou-me novamente o celular e deixou o quarto. Agora eu realmente me sentia tudo isso o que ela tinha me xingado. Será que Arthur é confuso ou eu é que sou burra demais para entendê-lo?
Voltei para a sala atordoada e tirei algumas coisas do chão, colocando-as na mesinha de centro e me sentando no sofá. Mel voltava da cozinha.
— Já entendeu a mensagem, filhote do demônio? — perguntou em seu melhor estilo e sentou na poltrona. Joguei uma almofada nela.
— Ai Mel... Também não é fácil assim... O Arthur parece ser compreensível, mas daqui a 5 segundos vem com uma coisa que diga o contrário do que ele acabou de dizer — bufei.
— Ai meu SÃO CRISTÓVÃO — ergueu os braços e olhou para cima, exageradamente. — Ele vai te mandar outra mensagem dizendo que está procurando a garota infernal e que não quer dizer nada, apenas mandá-la pra longe? ACORDA, . As coisas passam na sua cara e você finge que não vê! — balançou a cabeça indignada.
— Desisto, você não vai entender. Você pensa que conhece aquele cabeça-oca! — cruzei os braços e olhei para a TV.
— Acho que você faz questão de não conhecer, isso sim — rebateu e ficamos em silêncio por um longo tempo, apenas vendo TV. Quer dizer, eu olhava para a TV, mas os pensamentos estavam no visor do meu celular e no que Arthur realmente queria dizer com a mensagem.
Eu sei que parece óbvio, que qualquer um que nos vê de fora desejaria me matar por parecer confusa. Mas eu sei como Arthur é. Principalmente pelas nossas conversas ao telefone durante aquela semana que eles passaram fazendo shows por aí. Ele sempre dizia alguma coisa fofa, mas antes que eu pudesse estar convencida, fazia parecer que tudo não passava de brincadeira. Quem me garante que essa não era mais uma de suas brincadeirinhas infantis, daquelas que adora fazer? Decidi ir para o meu quarto. Notei que Mel me acompanhou com o olhar, quando passei por ela. Eu apenas precisava de mais um tempo para pensar. Deitei na cama com a barriga para o colchão e me apoiei com os cotovelos. Reli a mensagem mais de dez vezes. Não parecia melhorar em nada. Eu tinha medo de ficar feliz demais e levar um tombo no dia em que visse Arthur novamente. Não queria criar tantas expectativas e depois ouvi-lo dizer algo como “desculpa, eu não queria que você entendesse errado”. Senti a presença de alguém no quarto e eu já sabia quem era. Virei para olhá-la.
— Posso entrar? — Mel indagou, parada na porta e eu sorri fraco, assentindo. Depois, voltei à posição anterior. Senti um lado da cama afundar, certamente ela estava sentada ali. — Como você se sente em relação ao Arthur? Sinceramente! — virei-me bruscamente e deitei de barriga para cima, encarando-a.
— Não sei — respondi sincera e respirando fundo, baixando o olhar.
— Eu quero uma resposta objetiva! — insistiu, empurrando-me e deitando ao meu lado, também de barriga pra cima.
— Mas eu não sei! — falei impaciente.
— Saco! Falar com você tem sido um saco! — indignou-se e eu soltei uma risada abafada. — Sua filha da @#$* do demônio, ainda fica rindo da minha cara.
— Você nunca vai mudar!
— Claro que não, eu sou demais desse jeito. Sou o que se chama de “perfeito” — vangloriou-se e eu dei uma cotovelada.
— Você e o Mica se merecem — brinquei e Mel suspirou.
— Eu também acho! — pausa. — Você acha que eles vão mesmo poder tocar no meu aniversário?
— Acho que sim, se o Arthur disse... — dei de ombros.
— Graaaaaaaande ajuda. Como se o Arthur fosse muito bom com compromissos — rimos e começamos a lembrar da bebedeira no estúdio. — Foi um dos melhores domingos que já tive — falou empolgada.
— É, eu também — suspirei. — Os meninos são demais! Todos eles.
— São mesmo — riu alto. — Eu ainda não acredito que beijei um McFly! — prendeu a respiração. — E VOCÊ, SUA VADIA, BEIJOU DOIS E AINDA DEU PRA UM! — gritou, dando-me alguns tapas e eu me esquivei, rindo.
— Mel, que palavras são essas? Nós fizemos amor... — falei com uma voz infantil e ela soltou um riso abafado.
— Aham... 'Tá mais pra sexo selvagem. Tipo, vocês dois devem parecer dois macacos acasalando... — agora ela levou um bom tapa na testa.
— Cala a boca! — ordenei e rimos. — Você não me contou como foi beijar o Chay, pegando em suas nádegas...
— Foi muito bom! Eu não sei se era o álcool, mas amiga, a bunda dele é durinha e o beijo dele é muito gostoso... — suspirou. — Mas eu ainda continuo curiosa para saber se o Micael pode fazer melhor — deu de ombros e nós rimos. — E você? Como foi com o Harry Judd tesão?
— Caraca, já tinha até esquecido disso! — respondi com sinceridade, eu realmente tinha esquecido de ter beijado Harry durante um desafio do nosso jogo da verdade. — Mas ele realmente é um tesão! — ri alto e Mel esperava por mais, atenta. — Beija incrivelmente bem, se não tivesse tão dormente, acho que sentiria prazer — ela me deu um tapa.
— Tarada! Aguiar ou Judd? Sem enrolação — propôs a disputa.
— Ah...
— Ah, nada! Aguiar ou Judd? — insistiu.
— Tá, tá... Thur — sorri fraco e ela gritou. — Maaaas... — parou um pouco de rir e me olhou atenta. — O Harry é capaz de me fazer subir pelas paredes também, garanto — pisquei e ela me xingou de vários apelidos promíscuos.
— Vaca sortuda! — foi o mais leve. — E o Arthur é quente como o inferno, mesmo? — gargalhei.
— Nossa, você cada vez com melhores adjetivos! — ela fez careta e mandou eu responder logo. — É. O pior é que é. Aquele maldito me deixa louca! — suspirei e bufei em seguida.
— Porra, ele é bom mesmo. Ultimamente, você era a maior frígida! — Mel me fez lembrar os poucos “rolos” que tive antes de Arthur, em que eu não conseguia sentir prazer, pois sempre sentia como se estivesse me prostituindo. — Vocês transaram na noite antes dele viajar?
— Não. Eu tinha que acordar cedo e ele também, mas vontade não faltou — bufei novamente. — Por que ele tem que ser tão gostoso? Mel, é uma tortura o que ele faz comigo. DORMIR DE BOXERS, POR QUÊ? — perguntei inconformada e caímos na risada.
— Nossa, quando eu o vi de boxers brancas na cozinha aquela vez quase enfartei! — ela suspirou. — Que corpo é aquele? — suspirou novamente e eu lhe dei uma cotovelada.
— Olha lá, hein? Já basta competir com a Sophie, agora com você também? — brinquei e ela gargalhou, batendo palmas.
— Então você assume que compete com ela? — instigou.
— Você sabe que eu falei no sentido figurado, sua monga!
— Claro que não. Eu sei que no fundo você tem prazer em estar roubando o Arthur dela! — falou em um tom de voz convencido.
— Claro que não, quem não simpatiza com ela é você! Eu nem a conheço bem pra sentir prazer em fazer o que eu estou fazendo INCONSCIENTEMENTE — fiz questão de berrar a última palavra e ela balançou a cabeça.
— Ahhhhhh, sim, o Arthur está te forçando a ficar com ele! Pobrezinha... — ironizou.
— Dããããã, não é isso... Estou dizendo que eu não faço por mal. Aconteceu — franzi a testa e mordi o lábio. — E agora estou f**** — bufei.
— Eu no seu lugar tirava várias fotos beijando, transando e fazendo o diabo a quatro com o Arthur e dava um jeito disso chegar às mãos daquela bisca! Grrrrrr, odeio — bufou. Olhei-a bruscamente, assustada.
— Mel, quanto ódio nesse coração! Que diabos a Sophie te fez? — eu realmente não conseguia entender aquela raiva que a Mel sentia dela.
— Ela é a prima do Ryan, a que furou o meu olho — falou baixo e eu arregalei os olhos ainda mais, prendi a respiração.
— O QUÊ? COMO VOCÊ NÃO ME CONTOU ISSO ANTES? — praticamente berrei, sentando e olhando-a.
— Mentira, falei isso só pra dar um drama... — gargalhou idiotamente e eu estapeei seu braço. — Você... Tinha que... Ver... A sua... Cara! — disse ofegante, em meio a risos e eu bati mais ainda.
— Idiota! — deitei de novo, já rindo. — Tenho que aprender a não acreditar em você!
— “I told ya, I was trouble. You know that I'm no good…” — cantarolou e depois parou subitamente. — Ew, odeio essa música — bateu na própria boca e eu ri.
— Nós não somos normais — falei de uma vez e ela me olhou novamente.
— Por quê? Eu sou perfeitinha — deu de ombros e eu fiz careta.
— Não sei. Só sei que não somos normais e ainda fizemos amizade com quatro idiotas — suspirei.
— Os quatro idiotas mais perfeitos que os meus olhos já viram — agora ela suspirou. — E pra mim ainda tem um gostinho mais especial... Eles são os meus ídolos, cara. Às vezes tenho medo de ver que tudo isso é sonho... — coçou a cabeça.
— É assim que eu me sinto quanto estou com o Thur... — revelei e me arrependi da graça.
— AAAAHHHHHHHH #$@%ÃÃÃO! EU SABIA! — deu um tapa em minha barriga e levou as mãos à cabeça. — “Não, eu não estou apaixonada! Eu sou burra. Eu nem quero o Arthur.” — falou com uma voz engraçada, imitando-me exageradamente.
— Se eu for exagerada assim posso esquecer a possibilidade de conquistar alguém — brinquei.
— Então, você é exagerada e chata, por isso acha que não conquista o Arthur. Apesar de que, pra mim, ele está podre de apaixonado — opinou, pegando em seus cabelos.
— Não concordo com você — dei de ombros e recebi um puxão de cabelo.
— É uma serviçal do cão mesmo! Desisto de você! Morra! — falou levantando e eu joguei meu travesseiro em suas costas. Ela, então, se virou e mostrou o dedo. — Só falo com você amanhã, não me procure mais — ri alto e ela também, saindo do meu quarto e batendo a porta com força, só porque sabe que isso me irrita.

Levantei rindo e juntei o travesseiro, colocando-o no lugar. Fui até o banheiro e me preparei para dormir, coloquei um pijama fechadinho, pois não era das noites menos ventiladas. Apaguei a luz e deitei de bruços. Antes de dormir, olhei mais uma vez aquela mensagem em meu celular.
— Boa noite, Thur — sussurrei e desliguei o aparelho. Ri internamente da minha idiotice e apaguei.

Continua ..



Muitíssimo obrigado pelos 16 comentários , e desculpem-me pela demora , tive alguns imprevistos .. mais ta aê ..
Merece algum comentário?





14 comentários:

  1. claro que merece perfeito,pqp véi.

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  2. divoo,queremos mais e mais u.u

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  3. perfeita d+ ,posta mais LOGO u,u

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  4. ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

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  5. mais por favor nãopossoficar um dia sem ler essa web pq se não eu enlouqueço kk

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  6. amo essa web.posta mais

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  7. ´poxa,cade a web? vou entrar em depressão

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  8. postaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaais ta muuuuuuito perfeitooooooooooooooooooooooooo

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  9. Vale eu comentar também?? (u.u) TO PIRANDO AQUI, MANO! AAAAAAAAAAAAAHHHHHH!!!!!!! *--------*

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