sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Longe Demais (Capítulo 3)




***

-Você sabe a encrenca que se meteu, Lua Maria? –meu pai gritava comigo.

-Sim. E não to nem aí.

-Com não tá nem aí? Você quer destruir a carreira de seu pai? Quer virar um 
delinquente indo para lugares proibidos? Se não fosse por mim você estaria atrás 
daquelas grades agora! –ele ainda gritava. Expandia raiva em seu rosto. Pude 
ver uma veia grossa em seu pescoço. Ele já estava ficando vermelho. –Você 
sabe o alvoroço que causou, Lua? Sabe???

-Sei.

-Não seja sínica, garota!

-Eu sou o que eu quero e não vou deixar de ser porque você quer!!!! –levantei e 
fiquei cara a cara com ele. Mamãe chorava. –Isso é tudo culpa sua, pai! Você me 
fez desse jeito! Você faz isso comigo! Você me fez ser rebelde, tudo é CULPA SUA, TUDOOO! Você não me dá carinho, não me dá nada disso! A única coisa que tenho é um papel em Hollywood. Isso não importa pra mim, pai! O que eu mais queria era o seu carinho, mais vejo que isso nunca vai acontecer. Você me quer como um objeto pra sua vida! E isso eu não quero ser, quero ser sua filha! Me desculpe se faço você ficar envergonhado as vezes, mais a real é que você faz isso acontecer. Você não me ama, pai. –eu chorava. Respirei um pouco tentando buscar fôlego e corri pra cima. Entrei em meu quarto e bati a porta.
Não sei o que ele fez depois. Quis sair antes de ver. Normalmente ele não vai fazer nada. É capaz de me mandar para um reformatório ainda por cima.
Meu celular tocou. Vi na bina que era Mel. Não queria falar com ninguém agora. Precisava pensar. Não sei o que pensar também. Ah, quer saber, deixa eu falar com ela.

~~Ligação On~~

-Lua você tá no jornal!

-Eu já imaginava isso.

-Amiga, você foi presa!

-Eu sei.

-Não imaginava que você iria tão longe.

-Nem é pra tanto, Mel.

-Lua a gente precisa conversar.

-Depois Mel, quero ficar sozinha. E a barra aqui em casa não tá legal. Depois a 
gente se fala. –desliguei antes que ela falasse algo.

~~Ligação Off~~



~~Dia seguinte~~

-Lua... –alguém estava batendo na porta. Pela voz doce percebi que era mamãe. 
Levantei e fui abrir. Ela sorriu. Acho que ela esperava que eu não abrisse.

-Oi? –disse sonolenta.

-Vamos conversar?

-Contando que não for sobre o papai, sim.

-Não é sobre seu pai.

-Então fala. –me sentei na cama e ela também.

-Eu e seu pai vamos ter que fazer uma viagem para os Estados Unidos. Ele 
recebeu um roteiro para fazer um filme lá. Enfim, você vai ficar.

-Por que?

-Porque você vai ter que ficar 3 semanas fazendo ronda com a polícia.

-O QUE???

-É.

-Que droga! Vou ter que passar o resto das minhas férias enfurnada em um carro 
de polícia! –me levantei.

-Lua, se acalma! –ela me puxou pra sentar na cama novamente. –Você deu sorte!

-Sorte?

-É! Minha filha você tem 18 anos agora. Você iria ficar presa se nós não 
tirássemos você de lá. Mas a polícia resolveu fazer isso. Quer que você faça uma 
ronda policial como castigo.

-Isso é uma droga!

-É melhor do que ficar atrás das grades, não acha?

-É, isso sim. Mas, não tem outro jeito?

-Não. –ela sorriu e me deu um abraço. -Você vai ficar bem, tá?

-Tá. –ela saiu. Minha mãe era minha amiga. Ela entendia o meu lado. Pois ela 
sabe minha situação com meu pai.

&&&&&

Era domingo. Meus pais tinham acabado de viajar. Eu estava sozinha em casa. 
Tirando a Fernanda que trabalha aqui. Mel tá vindo pra cá. Ela tá louca pra conversar comigo. Até imagino o que ela 
quer falar. Vai fazer um questionário pra saber por que eu fiz isso e...

-LUAAAAAAA! –Ela chegou.

-Oi Mel! –ela me abraçou.

-Tudo bem, amiga? –ela passou a mão em meu rosto acariciando.

-Tudo sim. –sorri.

-Me conta tudo agora! –ela se sentou na cama em minha frente.

-Táaa. –Contei tudo pra ela. Ela ficou boquiaberta o tempo inteiro. Mel nunca fazia coisas desse tipo. Eu já disse que ela era certinha e que os pais dela tinham orgulho dela e enfim.

-Caramba... –disse ainda boquiaberta. -Teu pai é cruel pra caramba, Lu.

-Eu sei. Tem vezes que acho que ele não me ama.

-Não, isso já é exagero.

-Eu não acho.

-Tá ok, e quando você vai começar a fazer a tal “ronda com a polícia” ?

-Amanhã.

-E com que policial você vai fazer?

-Sei lá. Qualquer um. Não ligo pra isso.

-Tem certeza? Se for um velho chato e babão?

-Não tem velho chato e babão lá. Só tem formigas.

-Formigas?

-É Memis, você precisa ver o bando de formigueiros que tem lá. Sério, até que 
nesse ponto a delegacia é engraçada.

-Eles são gente boa?

-Alguns... tem uma policial lá que se chama Meredith. Ela é legal. Puxou papo 
comigo aquele dia.

-Hum. Alguém bonito? –ela perguntou com um sorriso.

-Não Melanie! Eu não reparei em ninguém lá. Apenas estava no mundo da lua 
como sempre.

-Mundo da lua? O seu mundo, né?

-Dêsha, Mel.

-Tá, eu dêsho.

***

Na segunda de manhã fui de táxi para o formigueiro. Quer dizer, delegacia...

-Lua? –Meredith me perguntou mordendo uma rosquinha. Aquilo era realmente o 
formigueiro.

-Sim, Meredith.

-O que está fazendo aqui?

-Vim fazer a tal “ronda policial”.

-Não é agora meu anjo. É à noite.

-À noite? Mais que droga!

-Não te falaram?

-Não.

-Pois é, é à noite. Vai pra casa descansar que você vai ter uma looonga noite, 
vai?

-Tá bom. –voltei pra casa. Ê droga! Fui lá à toa.

Pedi Fernanda para fazer um sanduíche para mim. Estava bom. Depois de comer 
coloquei uma roupa para sair e correr. 

***

-Des...-paralisei ao ver em quem eu tinha esbarrado.-...culpa! –Era o certinho. Ele estava sem camisa... Era a primeira vez que eu o via assim. Ah, claro né? Só o vi uma vez. Mas, caramba. O que é isso? Que abdômen é esse? Todo definido feito ondinhas. UAAL!
Quando saí dos meus pensamentos maléficos do policial que queria me prender à um dia atrás, olhei para ele e ele me encarava. Um olhar sério e estranho. Ele me encarou mais uma vez e voltou a correr.
Ele realmente era muito estranho. Tenho até medo de como vai ser essas rondas policiais de tortura durante três semanas...


Escrito por Sarah Marques

....CONTINUA!!!....
COMEENTEEM, PLEASE???



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