Arthur amaldiçoou o
tamanho da casa e entrou na biblioteca, parando ao ver que estava vazia. Lua
não estava no quarto, nem com Sofia. Deixando a biblioteca, foi para a ala
oeste da casa, um lugar pouco usado, construído para abrigar hóspedes e
empregados. Subindo a escada, começou a procurá-la, já entrando em pânico. E se
estivesse machucada, se tivesse caído num dos corredores escuros? Começou a
chamá-la, baixinho, e quando não obteve resposta, abriu uma porta atrás da
outra, tentando encontrá-la.
— Lua!
— Estou aqui!
— Aqui, onde? Que
droga de lugar! Mais parece um labirinto! — A risada dela era baixa e suave, e
parecia encher o ar quando ele abriu a porta.
— Disse que eu podia
usar o quarto amarelo, não disse? — Sentada numa cadeira, estava de costas para
ele, com um cavalete a sua frente e o pincel sobre a folha de papel presa a um
painel.
— Não disse?
— Sim, agora me
lembro.
— Não costuma
andar muito pela casa, não é?
— Não por aqui. Meu
Deus, eu me senti um tolo.
— Estava preocupado?
— Sim. Este
lugar é muito grande e antigo, e...
— E sempre muito
escuro — completou ela, virando-se levemente, mas sem fitá-lo. Ela olhava para
o chão, e Arthur percebeu que fazia isso por ele, embora houvesse pouca luz no
aposento. As cortinas estavam afastadas e o luar entrava pelas janelas.
— Está pintando no
escuro, Lua.
— Você é mesmo
esperto, Aguiar.
Ele riu, balançando a
cabeça e aproximando-se.
Lua sentiu-o mover-se
atrás dela, sentiu o perfume da loção pós-barba, e tentou imaginar como seus
sentidos haviam se tornado tão apurados. O calor do corpo dele parecia
tocar-lhe a pele, e subitamente ficou consciente do roupão fino e do pijama que
usava. Queria vê-lo, não por curiosidade, mas para que ele confiasse nela o
suficiente para deixar que se aproximasse. Tudo que conhecia de Arthur era a
imagem que vira nas fotos, tiradas quatro anos antes.














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