***
Como nada havia acontecido, simplesmente nós voltamos para o bairro da
delegacia, que é o Compton. É o mesmo bairro onde Arthur mora. Claro, ele vem
a pé pra cá. Enfim, novamente nós fomos até aquela lanchonete 24h que se
chama Cafextra! Onde eu quase morri de tanta pimenta.
-Dessa vez, eu vou pedir! –apontei o dedo para Arthur e ele riu. Oh Milagre!
Arthur rindo é um MILAGRE!
Entramos e o garçom já nos veio atender.
-O que vão qu...
-O mesmo de sempre. –Arthur disse interrompendo o garçom.
-Eu quero o mesmo que ele. –Arthur me olhou e logo viu que eu o vi que me
observava e parou de me olhar. O garçom se foi.
Olha, o Arthur é muito estranho. Tem vezes que ele está legal comigo, tem
vezes que está chato, tem vezes que está muito mal educado. Eu não o entendo.
E acho que essa é a intenção dele. Fazer que eu nunca o intenda.
-Você ficou ótima com essa jaqueta. –ele disse me olhando com um meio sorriso no rosto. E que sorriso!
-Obrigada. –olhei para jaqueta e pude sentir um cheiro maravilhoso. Não era de
comida, era um perfume... perfume bom... que vinha da jaqueta... se a jaqueta
era de Arthur, o perfume também era dele e esse era o cheiro dele. Eu sei que
parece muito óbvio mas...
-Por que está cheirando minha jaqueta? –fui interrompida nos pensamentos por
essa pergunta de Arthur. Eu corei na hora. Não queria admitir que seu cheiro era
bom, e estava sem saída. O que eu iria fazer? Mentir? Isso! Ótima ideia!
-Eu não estou cheirando sua jaqueta.
-Mentir é muito feio. Ainda mais para um policial. –corei novamente.
-Tá bom! Estou cheirando porque senti um cheiro... –parei de falar e fiquei olhando fixamente para ele, no fundo de seus olhos negros que agora não pareciam nem um pouco assustadores.
-Um cheiro...? –ele insistiu.
-Um cheiro bom!
-Hm... é o meu cheiro. -sorriu com um sorriso gabado.
-Eu sei.
-E pelo jeito você gostou.
-Gostei?
-Você está garrada no casaco, Lua.
-Estou?
-Dá pra parar de me fazer perguntas!
-Estou te fazendo perguntas?
-Lua! Você tá maluca! Para de cheirar essa jaqueta! –ele bateu em minha mão
que segurava a jaqueta perto do nariz. Foi quando me toquei o que eu fazia.
Esse cheiro do Arthur estava me deixando maluca. Estava delirando.
-Eu to ficando maluca!
-Eu to percebendo! Larga essa jaqueta! –ele puxou minha mão rindo.
-A culpa é sua!
-Minha?
-É! Quem manda ter um cheiro bom?
-Eu não sei. –ele ria com um sorriso delirante. E eu iria ficar mais maluca se não
parasse de cheirar essa jaqueta.
Larguei a jaqueta e respirei fundo. Fechei os olhos e suspirei. Abri meus olhos e
olhei para Arthur.
-Estou bem.
-Finalmente! –O Garçom chegou e trouxe a comida.
Escrito por Sarah Marques

























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