***
-Que bairro vamos fazer a ronda?
-Um que você conhece muito bem. –ele disse sem tirar os olhos do volante.
-Não, tá brincando né? A gente vai para North Hollywood???
-Sim. Vamos. Algum problema?
-N...não.
-Tem certeza, Lua Blanco?
-Tenho! –disse meio grossa.
-Ih, que foi? Perdeu o respeito? –ele olhou pra mim com indignação.
-Me deixa, Arthur.
-Bem que eu queria... –ele disse em um tom baixo que eu não consegui ouvir.
Depois de um tempo, nós já havíamos passado por North Hollywood. Estávamos
indo para outro bairro. Não sabia qual era.
-Pra que bairro estamos indo agora?
-Inglewood. –fiz uma cara estranha.
-Nunca ouvi falar.
-Acho que o único que você ouviu falar é Bebverly Hills.
-Você quer o que? Moro em North Hollywood, sou uma atriz de lá, tenho um pai
famoso... você esperava que eu morasse e visitasse aonde? East Los Angeles?
- East Los Angeles é o bairro mais pobre de Los Angeles. Você quer esnobar
tudo de vez, é isso?
-Claro que não. Eu hein. Você me tira do sério!
-Sou bem eu mesmo... –ele se insignificou e continuou a dirigir.
-Já faz mais de meia hora que estamos rodando aqui em Inglewood, não vamos
pra outro não?
-Não. O combinado era só North Hollywood e Inglewood.
-Combinado?
-Você não precisa saber desse combinado.
-Por que não?
-Lua, muda de assunto por favor. –suspirei e me joguei no banco do carro com tédio. Aquilo
estava muito chato. Já tinha passado da hora de chegar a ação. Ou será que
não? Será que as rondas de policiais era sempre assim? Ontem não foi assim...
ontem teve até tiroteio. E hoje? Nada?
-No que está pensando? –ele me perguntou tirando-me dos meus pensamentos
óbvios.
-Não acha que já basta você saber TUDO sobre mim e querer agora também
saber o que eu penso?
-É só um jeito de puxar assunto.
-Que jeito mais informal. –cruzei os braços. Logo descruzei pois uma vibração
forte começou a vibrar em meu bumbum. Era o celular. Coloquei somente para
vibrar. Vai que Arthur dá um chilique só porque meu celular estava tocando...
enfim, me contorci para atender, pois estava com o cinto de segurança.
Vi na bina que era Mel. Atendi e pude ver que Arthur me olhou.
-Oi Mel!
-Oi Lu, como tá sendo sua ronda policial?
-Péssima.
-Não pode atender celular aqui! –Arthur exclamou em voz alta. Afastei o celular
da boca e perguntei:
-Por que? Qual é o problema? Não to te atrapalhando.
-Claro que está.
-Arthur, larga de ser chato. Não tem nenhum problema em uma adolescente
atender o telefone em um carro de policia!
-Ah não? –ele debochou. –E o que você sabe sobre isso? Aonde você viu isso?
Pode me explicar? –ele ainda debochava.
-Meu Deus! Que coisa!
-Mel, me desculpe mas eu tenho que desligar. Tem um policial me enjoando. E
espero que me perdoe mais uma vez. Beijo. –desliguei o telefone antes que Mel
respondesse e que Arthur falasse mais alguma coisa.
Esse era o pior castigo de
toda a minha VIDA!
Escrito
por Sarah Marques
...CONTINUA!...

























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