sábado, 2 de março de 2013

A Bela e a Fera (Capítulo 16)





Sofia concordou, voltando para a sala de jantar para terminar o que estava fazendo. Lua sentou-se no sofá e pegou o estojo com os lápis, imaginando o que desenharia em primeiro lugar. Queria agradecer, mas sabia que Arthur não iria recebê-la. Além disso, tinha muito que fazer. Depois que Sofia terminou o primeiro desenho, pregou-o orgulhosamente na geladeira, antes de levá-la para o banho. Não foi fácil acalmar a menina, que queria experimentar tudo, mas depois do banho e de uma história, conseguiu colocá-la na cama. A caixa com os presentes ficou na mesinha, ao lado da cama, como se isso deixasse o pai mais próximo.


Deixando a porta de Sofia entreaberta, Lua parou no corredor, olhando para a escada que levava ao andar de cima, imaginando o que Arthur estaria fazendo. Não falara com ele desde a noite anterior. Tão pouco ele a chamara pelo interfone, nem aparecera nas sombras. Era como se tivesse revelado coisas demais e agora quisesse manter distância. Ainda assim, lhe dera um presente maravilhoso. Era um homem complicado, depois de tomar banho, vestiu o roupão e desceu, ansiosa para experimentar os novos lápis e crayons.

Quando Arthur ouviu Lua andando no andar de baixo, entrou no quarto de Sofia apressado para estar com a filha. Sentando-se na cadeira de balanço, observou-a enquanto dormia. O luar que se infiltrava através das cortinas banhava a menina com um brilho prateado.


Serabi mais parecia à rainha da selva, deitada no fundo da cama, enroscada nos cobertores.


— Papai — murmurou Sofia, como se percebesse que ele estava ali. Arthur estendeu a mão, que ela segurou, meio adormecida. — Obrigada pelo presente — disse, sem abrir os olhos.


— Fico feliz que tenha gostado, princesa — sussurrou ele.


—  A Lua também gostou do dela — disse Sofia, bocejando, antes de voltar a adormecer.


Uma onda de alegria o envolveu. Queria tanto ver Lua, falar com ela... Os momentos que passava ao lado dela eram os únicos em que se sentia humano outra vez, em que as cicatrizes pareciam não importar. Mas, esperando pelo momento certo, pegou o livro no criado-mudo, abriu na página marcada e começou a ler para Sofia. Meio adormecida, ela sorriu. E aquele sorriso fez Arthur sentir-se como um rei.

...CONTINUA!...

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