Arthur ficou de
costas, as mãos apoiadas no batente da janela alta. O luar brilhava nos cabelos
escuros, e mais uma vez Lua admirou-se ao ver como era alto e forte.
— Tem medo de mim? -
Ele perguntou
— Não vê como estou
tremendo? Sabe, não seria tão misterioso para as pessoas da cidade se não se
escondesse deles.
— Eles também não se
aproximam.
— Não é de admirar.
Com a muralha ao redor do castelo e toda aquela floresta de carvalhos à volta
da propriedade... francamente, Arthur, por que não planta flores? As velhas
árvores são bonitas, mas ficam um tanto tenebrosas ao entardecer e...
— Lua...
— Sim?
— Está fugindo
do assunto. — Ele baixou os braços e virou-se, ficando de frente para ela, as
costas apoiadas na janela. O coração de Lua batia disparado.
Podia ver o rosto
dele. O lado direito, sem cicatrizes, e era muito bonito, os cabelos negros
eram perfeitamente arrumados, a
camisa imaculadamente branca. Como sempre, usava calça preta e camisa branca.
— Você mesmo corta
seus cabelos?
Ele passou os dedos
pelos fios escuros e riu baixinho.
— Acho que dá para
perceber, mesmo no escuro.
— Posso cortar
para você, se quiser. — Costumava cortar os cabelos dos meus irmãos e irmãs.
— Não, obrigado.
Ninguém vê, mesmo.
— Não é essa a
questão. — Lua levantou-se. — Você vê, Arthur... — Ela parou.
— O que foi?
— Não podemos
continuar assim. Esconder-se nas sombras não faz bem a nenhum de nós.
— É a sua opinião.
— O que ganha
com isso?
...CONTINUA!...














Nenhum comentário:
Postar um comentário