— Minha privacidade, minha dignidade. Meu
amor-próprio. — Ela sacudiu a cabeça.
— Não é verdade.
Apenas mantém vivas as feridas que ela causou. Nem todos são como Melanie.
— Faz muito tempo que
superei o que aconteceu com ela.
— Acredito. Mas
ela deixou uma marca profunda, e não gosto disso.
— Que pena —
disparou ele.
Lua sentiu as defesas
dele se erguerem como uma onda gigantesca.
— Então é
assim? Pretende ficar escondido até transformar-se numa fera selvagem?
— Não force a
situação. Sabe que não é assim.
— Ora, Aguiar, pare
com isso. Sei quem você é, não como aparenta ser. —
Ela deu um passo à frente.
— Deixe-me vê-lo.
— Não.
— Você me deu o
presente mais precioso que já recebi — disse, apontando
as tintas, telas e
pincéis. — Você me viu como sou. Não a beleza que ganho nos concursos. Mas não
me deixa lhe dar nada.
Ele sabia o que Lua
oferecia. Era a promessa de não rejeitá-lo, de não
sentir repulsa. Mas não
podia se arriscar. Não agora, quando começava a se sentir como um homem outra
vez, não quando ela o fazia desejar ir para a luz, quando queria acima de tudo
sentir o perfume dela.
— Você me deu uma
chance com minha filha.
— E isso é
suficiente? — Ele não respondeu.
— É? — ela insistiu.
— Não! — ele quase
gritou. — Não, desde que você entrou em minha casa.
Lua respirou
fundo, dando um passo à frente.
Arthur fitou-a da
cabeça aos pés, o rosto lindo iluminado pelo luar, os longos cabelos encaracolados brilhantes
sobre os ombros, o corpo escondido pelo roupão fino e pelo pijama.
— Mas é assim
que tem que ser.
— Não, não tem.
Não comigo.
Ele fechou os olhos,
inclinando a cabeça para trás. Arthur abria e fechava os punhos, enquanto
o perfume de Lua o envolvia, enfraquecendo seu autocontrole.
...CONTINUA!...
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