Lua? — chamou Sofia
da sala. — O que é isto?
Lua enxugou as mãos
numa toalha de papel e atravessou a sala de jantar, parando ao ver a pilha de
caixas amarradas com fita verde.
— Bem, querida,
por que não descobrimos juntas? Parando ao lado da mesinha de café, viu o
cartão preso na caixa maior. Era endereçado a ela. "Gostaria que mostrasse
mais dos seus talentos escondidos". Junto às caixas estava um dos esboços
que fizera de Sofia, com um bilhete. "É lindo, você conseguiu retratá-la
perfeitamente." Arthur.
— De quem é? —
perguntou a garotinha, saltitando em volta das caixas, na expectativa de ganhar
um presente.
— O bilhete diz que a
caixa de cima é sua. — Soltando as fitas, entregou a caixa à menina, que
sentou-se no tapete para abri-la. Dentro havia lápis de cor, purpurina, guache,
lápis de cera, aquarelas e papéis. — É do seu pai — disse Lua, e Sofia ergueu o
olhar, sorrindo.
Lua também
sorriu. Arthur tinha pedido desculpas à filha do único modo possível no
momento. Sofia perguntou se podia usá-los, e Lua assentiu, dirigindo-se à sala
de jantar, onde colocou uma toalha velha sobre a mesa, para protegê-la das
tintas. Em seguida, entregou à menina uma xícara de água, explicando como
poderia pintar.
Depois de ter
acomodado Sofia, voltou à sala de estar e olhou as caixas. Com um suspiro,
abriu a primeira e encontrou tudo que precisaria para desenhar, além de papéis
especiais. A segunda tinha aquarelas, uma palheta e pincéis, a outra tinha um
cavalete e um banquinho, além de um bilhete. "O quarto amarelo, na ala
oeste, é o que tem a melhor luminosidade, além da linda vista do rio e da
cidade." Arthur A.
As lágrimas encheram
os olhos de Lua, que sentiu a garganta apertada. Ninguém nunca a elogiara por
outra qualidade que não fosse a beleza. Mesmo tendo vários desenhos espalhados
pelas paredes do apartamento, Chay nunca notara, nem fizera algum comentário. Ela
adorava desenhar e pintar, mas desistira disso por coisas que julgara ser mais
importantes, na época. Havia uma sensação de liberdade que apenas a arte podia
lhe dar. Criar algo do nada era como uma mágica poderosa. E Arthur lhe dera
tudo isso novamente.
— Também ganhou
presentes — disse Sofia, aparecendo ao lado dela e espiando as caixas.
Lua acariciou os
cabelos escuros da menina e sorriu.
— Não é lindo?
Teremos de arranjar um lugar especial para trabalhar.
COMENTEM!?

























amo essa web <3
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